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Peça uma demoSMWW: métodos analíticos no controle de labs
Conheça o SMWW, método analítico usado no controle de qualidade em laboratórios.

Conheça o SMWW, método analítico usado no controle de qualidade em laboratórios.
Quando a gente pensa em um laboratório de análises, é natural que resultados exatos e alta confiabilidade apareçam na nossa cabeça. Mas garantir que essas noções da nossa cabeça sejam verdade não é tão fácil assim.
Por isso, nesse artigo você vai entender por onde começar os esforços para passar de primeira nas etapas de Garantia e Controle de Qualidade do seu processo laboratorial com a ajuda de métodos analíticos, usando o SMWW de exemplo.
Garantia e Controle de Qualidade no laboratório
Ter resultados confiáveis é uma necessidade para qualquer laboratório. E para isso, é preciso que todas as variáveis mensuráveis possíveis estejam sob observação durante todo o processo.E para ter essa certeza, a existência das etapas de acompanhamento denominadas Garantia de Qualidade e Controle de Qualidade é indispensável. Pode parecer redundante falar de garantia e controle, mas elas não são a mesma coisa.
A Garantia de Qualidade assegura que os requisitos, as políticas, e os procedimentos de qualidade estão sendo cumpridos, funcionando de certa forma como uma auditoria.
Já o Controle de Qualidade foca especificamente nos processos, certificando que todas as etapas, desde a entrada da amostra até o seu descarte, estejam de acordo com um padrão pré-estabelecido.
E, para falar de padronização no laboratório, é imprescindível falar de métodos analíticos. E, para entender como usá-los, vamos usar o SMWW como exemplo.
Como o Standard Methods organiza os métodos analíticos
Uma dificuldade prática de quem começa a trabalhar com o Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater é entender a lógica da numeração. Ela não é arbitrária: cada faixa de milhar agrupa métodos por natureza do parâmetro medido, o que ajuda a localizar o método certo e a organizar o escopo do laboratório. A obra é publicada em conjunto pela American Public Health Association, pela American Water Works Association e pela Water Environment Federation.
| Faixa | Natureza dos métodos | Exemplos de parâmetros |
|---|---|---|
| 1000 | Introdução, garantia da qualidade e estatística | Critérios de aceitação, controle de qualidade analítico |
| 2000 | Propriedades físicas e agregadas | Turbidez, cor, sólidos, condutividade, alcalinidade |
| 3000 | Metais | Determinação por absorção atômica e por plasma |
| 4000 | Constituintes inorgânicos não metálicos | Nitrogênio, fósforo, cloreto, sulfato, oxigênio dissolvido |
| 5000 | Constituintes orgânicos agregados | DBO, DQO, carbono orgânico total, óleos e graxas |
| 6000 | Constituintes orgânicos individuais | Compostos determinados por cromatografia |
| 7000 | Radioatividade | Atividade alfa e beta total, radionuclídeos |
| 9000 | Exame microbiológico | Coliformes totais, E. coli, contagem heterotrófica |
| 10000 | Exame biológico | Plâncton, algas, organismos indicadores |
Vale insistir nesse último ponto. É comum um laboratório adotar corretamente um método da faixa 4000 ou 5000 e ignorar os requisitos de controle de qualidade descritos na faixa 1000, que estabelecem a frequência de brancos, duplicatas, amostras fortificadas e padrões de verificação. O resultado é um método executado conforme a técnica, mas sem a evidência de que continua sob controle. Em contexto regulatório, essa distinção é decisiva: a lista de métodos analíticos aprovados para água potável da EPA referencia edições específicas do Standard Methods, e usar uma edição diferente da aprovada é motivo de rejeição do dado, mesmo que o resultado esteja tecnicamente correto.
SMWW

Diversas referências podem ser consultadas para a implementação do controle de qualidade em laboratório, mas neste artigo vamos conhecer um pouco sobre uma referência padronizada muito utilizada, que descreve métodos analíticos para amostras em matriz aquosa: Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater (SMWW).
SMWW é uma fonte muito rica, não só em métodos analíticos validados, mas também em parâmetros de controle de qualidade, tanto para o laboratório geral quanto para métodos específicos.
O livro apresenta a descrição dos testes com especificações e, quando possível, formas alternativas de execução de algumas etapas. Portanto, não é um livro de roteiros prontos, mas sim um guia para os laboratórios desenvolverem e padronizarem suas análises da forma mais adequada para suas realidades.
Para fazer bom uso dos métodos e extrair o máximo do conhecimento contido no SMWW, é necessário entender sobre sua organização.
O livro é dividido em partes, onde cada parte se refere a um tipo de analito, contendo todos os métodos validados e recomendados. Na primeira parte há uma introdução e uma explicação sobre os cuidados que um laboratório deve ter.
É na primeira parte que se faz uma abordagem inicial à Garantia da Qualidade e ao Controle da Qualidade, no capítulo XX20, onde consta a sua necessidade e importância, bem como uma definição dos termos e tipos de controlos habitualmente utilizados.
Este capítulo expõe um conhecimento geral sobre o assunto, sendo fundamental para sua leitura e compreensão. Para acessar o link deste capítulo, é só clicar aqui.
Ao escolher um método de análise, o analista encontrará em seu respectivo capítulo orientações para sua realização e algumas etapas necessárias de controle de qualidade.
Mas, além disso, na parte referente ao analito de interesse, há um capítulo XX20, que contém outras informações muito valiosas sobre o assunto, como por exemplo explicações de como cada tipo de controle deve ser realizado e, o mais importante, tabelas indicando os tipos de controle recomendados para cada teste específico.
É importante ressaltar que o laboratório tem autoridade para seguir as recomendações à risca, acrescentar ou eliminar etapas, de acordo com as observações e avaliações dos resultados obtidos.
Portanto, o Método Padrão para o Exame de Água e Efluentes, por conter informações muito ricas sobre controle de qualidade, são essenciais para ajudar a implementar um sistema de controle e garantia de qualidade em um laboratório.
Unindo os fundamentos apresentados na introdução do livro, no início de cada parte e no próprio método, é possível realizar as análises da forma mais exata, minimizando erros e aumentando a confiabilidade dos resultados obtidos.
Perguntas frequentes
O que é o SMWW (Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater)?
É a compilação de referência internacional de métodos analíticos para exame de água e efluentes, publicada conjuntamente pela American Public Health Association, American Water Works Association e Water Environment Federation. Reúne métodos validados para parâmetros físicos, químicos, microbiológicos e biológicos, organizados por faixas de numeração, e inclui uma seção inteira dedicada aos requisitos de controle de qualidade analítico. É atualizada periodicamente, e a edição importa: órgãos reguladores aprovam versões específicas de cada método. Para o laboratório, a utilidade prática vai muito além do receituário de bancada: por trazer os critérios de controle junto com cada método, o SMWW define não só como medir, mas como demonstrar que a medição feita naquele dia específico era válida. É isso que o torna uma referência incontornável em contexto de acreditação, e não apenas um bom manual de procedimentos analíticos.
Qual a diferença entre garantia da qualidade e controle de qualidade em análises de água?
A garantia da qualidade é o sistema: procedimentos escritos, competência dos analistas, calibração dos equipamentos, gestão de registros e auditorias. O controle de qualidade é o conjunto de medições que verificam se o processo está funcionando agora, na corrida analítica em execução. O controle de qualidade se materializa em brancos, duplicatas, amostras fortificadas e padrões de verificação analisados junto com as amostras reais. Um laboratório pode ter garantia da qualidade documentada e controle de qualidade insuficiente, e é nessa lacuna que os erros passam. A distinção tem efeito direto no que se olha numa auditoria: a garantia da qualidade se audita lendo documento, o controle de qualidade se audita olhando os dados da corrida. Quando os dois são tratados como o mesmo assunto, o laboratório investe em procedimento e continua sem saber se a medição de ontem era confiável.
Com que frequência devo analisar brancos, duplicatas e amostras fortificadas?
A frequência é definida pelo método adotado e pelo escopo de acreditação do laboratório, não por regra única. O padrão mais comum na prática é um conjunto de controle a cada lote analítico, normalmente definido como até vinte amostras, incluindo branco de método, duplicata e amostra fortificada. O ponto crítico não é acertar o número, é registrar o resultado de cada controle junto com o lote correspondente e aplicar os critérios de aceitação antes de liberar os resultados, em vez de arquivar o dado de controle sem avaliação. A consequência de inverter essa ordem é bem concreta: quando o controle é avaliado depois da liberação, descobrir que o branco estava contaminado significa recolher resultados já enviados ao cliente. Avaliar antes transforma exatamente o mesmo achado num reensaio interno, que custa uma fração disso e não vira conversa com o cliente.
A edição do Standard Methods usada pelo laboratório importa?
Importa, e é uma causa frequente de não conformidade. Reguladores aprovam edições específicas de cada método, e o laboratório precisa demonstrar que executa a versão aprovada para a finalidade declarada. Isso significa manter controle documental da edição em uso, verificar mudanças quando uma nova edição é publicada, e revalidar quando o método é alterado de forma relevante. Um resultado analiticamente correto obtido por edição não aprovada pode ser rejeitado pelo órgão que recebe o relatório. O detalhe que costuma escapar é o intervalo entre publicação e aprovação regulatória: uma edição nova não substitui automaticamente a aprovada, e adotá-la por conta própria pode colocar o laboratório fora do escopo justamente por estar mais atualizado. O controle correto é registrar qual edição está aprovada para cada finalidade declarada, e não simplesmente adotar a mais recente disponível no mercado.






