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Qualificação de Equipamentos Farmacêuticos

A qualificação de equipamentos é um processo crítico para garantir que os equipamentos utilizados em processos industriais e de laboratório atendam aos requisitos especificados.

A qualificação de equipamentos é um processo crítico para garantir que os equipamentos utilizados em processos industriais e de laboratório atendam aos requisitos especificados. Dessa forma, o Sistema de Gerenciamento de Informações Laboratoriais (LIMS) é uma ferramenta importante para o gerenciamento de documentações de qualificação de equipamentos e processos.

A qualificação de equipamentos é uma prática essencial na indústria farmacêutica. Isto porque, garante que os equipamentos estejam em boas condições e funcionando corretamente para garantir a segurança dos pacientes e a qualidade dos medicamentos produzidos.

Dessa forma, inclui uma série de etapas, como planejamento, instalação, operação, manutenção e monitoramento. Afinal, isso garante que os equipamentos estejam instalados e operando de acordo com as especificações e que estejam em conformidade com as regulamentações e normas aplicáveis.

Na indústria farmacêutica, esse processo é importante para garantir a qualidade dos medicamentos. Portanto, deve-se garantir que os equipamentos estejam limpos e higienizados adequadamente para evitar a contaminação cruzada dos medicamentos. Além disso, é necessário calibrar os equipamentos regularmente para garantir que eles forneçam medidas precisas e confiáveis.

Confira neste artigo, a importância da qualificação de equipamentos.

Como planejar o processo de Qualificação de Equipamentos?

A qualificação de equipamentos é um processo importante para garantir que os equipamentos utilizados em um processo industrial ou em um laboratório cumpram os requisitos especificados e funcionem de maneira adequada. Sendo assim, podemos dividir o processo de qualificação de equipamentos em três etapas principais: planejamento, execução e avaliação.

  1. Planejamento: antes de iniciar o processo de qualificação, deve-se planejar cuidadosamente as etapas que serão seguidas. Isso inclui identificar quais equipamentos precisam ser qualificados, estabelecer os requisitos específicos para cada equipamento e desenvolver um plano detalhado para executar a qualificação.
  2. Execução: durante a execução, os equipamentos são testados e verificados para garantir que atendem aos requisitos especificados. Isso pode incluir testes de desempenho, calibração, testes de conformidade e outras verificações.
  3. Avaliação: após concluir a qualificação, avaliamos os resultados para determinar se os equipamentos atendem aos requisitos especificados. Se os equipamentos não atenderem aos requisitos, é necessário fazer ajustes ou correções antes de aprová-los para uso.

Além disso, é importante que você mantenha registros detalhados de todas as etapas do processo de qualificação, como os resultados dos testes e verificações, para garantir que possa rastrear e verificar os equipamentos, se necessário.

Qualificação de Projetos (QP)

A Qualificação de Projeto (QP) é um passo crítico no processo de qualificação de equipamentos, especialmente em indústrias regulamentadas, como farmacêutica e alimentícia. A QP é a etapa inicial do processo de qualificação e tem como objetivo garantir que o projeto do equipamento atenda aos requisitos regulatórios e funcionais do usuário.

A QP inclui a revisão de documentos do projeto, como especificações técnicas, desenhos, manuais de operação e manutenção. Dessa forma, garante que esses documentos estejam completos e atualizados. Também realiza-se uma verificação de conformidade com as regulamentações aplicáveis.

Além disso, a QP inclui a realização de inspeções físicas no equipamento, incluindo verificações de desempenho, testes de conformidade e outras verificações para garantir que o equipamento atenda aos requisitos funcionais especificados.

Ao concluir a QP, emite-se um relatório que documenta os resultados das verificações e testes, bem como quaisquer desvios ou problemas identificados. Aprova-se o equipamento para uso, caso ele atenda a todos os requisitos. Caso contrário, é necessário realizar ajustes ou correções antes de aprovar o equipamento para uso.

Qualificação de Instalação (QI)

A Qualificação de Instalação (QI) é uma etapa importante no processo de qualificação de equipamentos, especialmente em indústrias regulamentadas como farmacêutica e alimentícia. Sendo assim, a QI tem como objetivo garantir que o equipamento esteja instalado e configurado corretamente e que esteja pronto para o uso.

A QI inclui uma inspeção física da instalação do equipamento, na qual verificamos se seguimos as especificações de instalação e se fizemos as conexões elétricas e hidráulicas corretamente.

Além disso, realiza-se teste de funcionamento para garantir que o equipamento esteja operando de acordo com as especificações técnicas e que esteja pronto para uso. Estes testes podem incluir testes de desempenho, testes de conformidade e outras verificações para garantir que o equipamento atenda aos requisitos funcionais especificados.

Qualificação Operacional (QO)

A Qualificação Operacional (QO) é uma etapa importante no processo de qualificação de equipamentos, especialmente em indústrias regulamentadas como farmacêutica e alimentícia. A QO tem como objetivo garantir que o equipamento esteja operando de acordo com as especificações técnicas e que esteja pronto para uso contínuo.

A QO inclui testes de operação, incluindo testes de desempenho, testes de conformidade, simulações de cenários de uso e outras verificações para garantir que o equipamento atenda aos requisitos funcionais especificados.

Qualificação de Desempenho (QD)

A Qualificação de Desempenho (QD) é uma etapa importante no processo de qualificação de equipamentos, especialmente em indústrias regulamentadas como farmacêutica e alimentícia. A QD tem como objetivo garantir que o equipamento atenda aos requisitos de desempenho especificados.

A QD inclui testes de desempenho, incluindo testes de precisão, exatidão, linearidade, estabilidade, sensibilidade, especificidade, e outros testes relacionados ao desempenho, para garantir que o equipamento atenda aos requisitos de desempenho especificados.

Plano Mestre da Validação

O Plano Mestre de Validação (PMV) é um documento importante para garantir que todos os processos e equipamentos de uma organização atendam aos requisitos regulatórios e funcionais. O PMV é um documento geral que descreve a abordagem e os procedimentos gerais para a validação de processos e equipamentos em uma organização.

As informações sobre os processos e equipamentos que devem ser validados, os requisitos regulatórios e funcionais que devem ser atendidos, a abordagem geral para a validação, os procedimentos e responsabilidades envolvidos na validação, bem como a gestão de riscos e mudanças são incluídos no PMV.

Sistema LIMS no Gerenciamento de Documentações da Qualificação

O Sistema de Gerenciamento de Informações Laboratoriais (LIMS, na sigla em inglês) é uma ferramenta importante para o gerenciamento de documentações de qualificação de equipamentos e processos. Um LIMS permite aos usuários criar, armazenar, acessar e gerenciar facilmente documentos relacionados à qualificação, incluindo especificações técnicas, desenhos, manuais de operação e manutenção, relatórios de teste e outros documentos relacionados.

Um LIMS também permite o rastreamento e a auditoria de documentos, garantindo que todos os documentos estejam sempre atualizados e aprovados. Isso é especialmente importante em indústrias regulamentadas, onde os regulamentos exigem que as organizações mantenham registros precisos de todas as etapas do processo de qualificação.

Além disso, um LIMS permite aos usuários gerenciar e acompanhar as atividades de qualificação de forma eficiente, incluindo a criação de tabelas de status, relatórios de progresso e alertas de vencimento. Isso ajuda assegurar que cumprimos os prazos e não esqueçamos nenhum passo crítico.

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As quatro etapas de qualificação lado a lado

As siglas do ciclo de qualificação são fáceis de memorizar e difíceis de aplicar, porque a diferença entre elas está na pergunta que cada uma responde. A tabela abaixo coloca as quatro em paralelo, com o que acontece quando uma etapa é executada fora de ordem ou sobreposta a outra.

EtapaPergunta que respondeMomentoO que dá errado se for sobreposta
Qualificação de projetoA especificação atende ao uso pretendido?Antes da compraCompra-se equipamento que não atende, e a lacuna aparece na QO
Qualificação de instalaçãoFoi instalado conforme especificado, no ambiente adequado?Após a instalaçãoProblema de utilidade ou ambiente é atribuído ao equipamento
Qualificação operacionalFunciona conforme especificado em toda a faixa de operação?Antes do uso em rotinaTesta-se só a faixa usual; falha aparece em condição extrema
Qualificação de desempenhoFunciona de forma consistente com o processo real?Com produto e método reaisEquipamento aprovado isoladamente falha no método específico
A distinção entre QO e QD é a que mais gera confusão: uma testa o equipamento, a outra testa o equipamento executando o seu processo.

Essa distinção do rodapé tem efeito prático que vale explicitar. Um equipamento pode passar integralmente na qualificação operacional, demonstrando que opera dentro das especificações do fabricante em toda a faixa, e ainda assim não ser adequado ao método que o laboratório executa, por causa da matriz da amostra, do limite de quantificação exigido ou do volume de análises. É por isso que a qualificação de desempenho precisa usar produto e método reais, e não padrões ideais. O outro erro recorrente aparece na primeira linha: pular a qualificação de projeto para acelerar a compra desloca a descoberta do problema para a qualificação operacional, quando o equipamento já está pago e instalado. Depois de qualquer manutenção corretiva relevante, parte do ciclo precisa ser repetida, o que se conecta ao vocabulário metrológico publicado pelo BIPM, e os registros de todo esse ciclo são parte da documentação exigida no ICH Q7.

Conclusão

Em suma, a qualificação de equipamentos é um processo crítico para garantir que os equipamentos utilizados em processos industriais e de laboratório atendam aos requisitos especificados. Dessa forma, o Sistema de Gerenciamento de Informações Laboratoriais (LIMS) é uma ferramenta importante para o gerenciamento de documentações de qualificação de equipamentos e processos.

Perguntas frequentes

Quais são as etapas de qualificação de equipamentos?

São quatro, e cada uma responde a uma pergunta diferente. A qualificação de projeto verifica se a especificação atende ao uso pretendido, e acontece antes da compra. A de instalação verifica se o equipamento foi instalado conforme especificado e no ambiente adequado. A operacional verifica se ele funciona conforme especificado em toda a faixa de operação. E a de desempenho verifica se funciona de forma consistente executando o processo real do laboratório, com produto e método reais. A ordem não é burocrática, é lógica: cada etapa só faz sentido se a anterior foi cumprida, porque testar operação num equipamento mal instalado mistura duas causas possíveis de falha. É por isso que inverter ou saltar etapas não economiza tempo — apenas transfere a descoberta do problema para um momento em que ele custa mais caro e tem menos alternativas de correção disponíveis.

Qual a diferença entre qualificação operacional e de desempenho?

A operacional testa o equipamento; a de desempenho testa o equipamento executando o seu processo. Um instrumento pode passar integralmente na operacional, demonstrando que opera dentro das especificações do fabricante em toda a faixa, e ainda assim não ser adequado ao método do laboratório, por causa da matriz da amostra, do limite de quantificação exigido ou do volume de análises. Por isso a de desempenho precisa usar produto e método reais, não padrões ideais. A distinção também define de quem é a responsabilidade por cada etapa: a operacional pode ser conduzida com o protocolo do fabricante, porque testa o que ele especificou, enquanto a de desempenho é necessariamente do laboratório, porque só ele conhece a própria matriz e o próprio critério de aceitação. Terceirizar a segunda sem fornecer esse contexto produz um relatório que não demonstra nada.

É possível pular a qualificação de projeto para acelerar a compra?

É possível, e é uma economia aparente que costuma sair caro. A qualificação de projeto é onde se verifica se a especificação atende ao uso pretendido, antes de comprometer o orçamento. Pulá-la não elimina a verificação, apenas desloca a descoberta do problema para a qualificação operacional, quando o equipamento já está pago, instalado e com prazo de projeto correndo. Nesse ponto as alternativas disponíveis são todas piores e mais caras que ter especificado corretamente. O padrão de falha é bastante previsível: o equipamento atende à especificação escrita e a especificação escrita não contemplava a matriz real, a faixa de trabalho necessária ou a capacidade exigida em pico de demanda. Como o fornecedor entregou o que foi pedido, o custo da correção fica integralmente com o comprador, e normalmente vira adaptação de método em vez de troca de equipamento.

Depois de uma manutenção é necessário requalificar o equipamento?

Depende da natureza da intervenção, e essa avaliação precisa estar documentada. Manutenção corretiva que altera componente crítico, ou qualquer ajuste que modifique a indicação, exige repetir a parte do ciclo afetada e, no caso de ajuste, nova calibração. O erro comum é liberar o equipamento para uso após o reparo por presunção de que ele voltou à condição anterior. O registro precisa mostrar qual verificação foi feita e por que ela é suficiente para o tipo de intervenção realizada. Vale ter esse critério definido antes de precisar dele, numa matriz simples que ligue tipo de intervenção à verificação exigida — porque a decisão costuma ser tomada com o equipamento parado, pressão de fila e uma tendência natural a escolher a interpretação mais rápida. Critério decidido no momento da urgência raramente é o critério que se defenderia numa inspeção.

Ingrid Ferreira

Ingrid Ferreira

Bacharel em Química com Atribuições Tecnológicas. Possui formação em
Química, Ciências Farmacêuticas, Gestão da Qualidade e Cosmetologia. É
Especialista em Gestão de Projetos de Inovação e Sustentabilidade. Auditora
em normas do Sistema de Gestão da Qualidade. Membro da Comissão
Técnica de Divulgação do CRQ-IV/SP e de comitês nacionais da ABNT.
Reconhecida como LinkedIn Top Voice 2024 e LinkedIn Creator 2022.

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