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Gestão Inteligente de Não Conformidades

Otimize a gestão de não conformidades e ações corretivas no seu laboratório com o apoio de um sistema LIMS. Saiba mais no blog da Actiz!

Se você atua em um laboratório de controle de qualidade industrial ou em um laboratório prestador de serviços, sabe que cumprir procedimentos é fundamental.

Porém, a verdadeira excelência está em garantir que esses procedimentos funcionem na prática — de forma consistente, rastreável e eficaz.

E quando algo escapa do controle — o que, mais cedo ou mais tarde, ocorre — é aí que a gestão de não conformidades (NCs) e ações corretivas (ACs) deve acontecer.

Mais do que atender exigências regulatórias, trata-se de proteger a reputação da empresa, reduzir retrabalho, fortalecer a confiança dos clientes e impulsionar a melhoria contínua.

Neste artigo, quero compartilhar uma visão clara sobre esse processo essencial — e mostrar como uma ferramenta de Gerenciamento de Informações de Laboratórios (LIMS) pode elevar a forma como seu laboratório gerencia NCs e ACs, integrando tecnologia, rastreabilidade e eficiência em cada etapa.

Entendendo o Básico: NCs e ACs

Antes de falarmos sobre ferramentas, é importante alinhar conceitos:

  • Não Conformidade (NC): qualquer desvio em relação ao que foi especificado ou exigido — seja em processos, produtos, equipamentos ou rotinas operacionais. Em resumo, algo saiu diferente do que deveria.
  • Ação Corretiva (AC): é a resposta estruturada à não conformidade. Vai além da correção pontual: trata da causa raiz, com o objetivo de evitar reincidências.

Embora o conceito pareça simples, a implementação eficaz depende de processos bem definidos — e, idealmente, de uma plataforma que garanta agilidade, rastreabilidade e conformidade em todo o fluxo.

Assista também: Como gerenciar dados de qualidade com LIMS

O Ciclo da Gestão de NCs e ACs: Como Funciona na Prática

Uma boa gestão de não conformidades precisa ser mais do que um amontoado de planilhas e papéis. O processo ideal é estruturado, transparente e automatizado. Veja um resumo das etapas:

  1. Identificação e Registro

Tudo começa com a detecção da falha — seja por auditoria, rotina analítica, reclamação de cliente ou simples observação. É essencial capturar dados completos: quando, onde, como e por quem foi identificado.

  1. Avaliação da Gravidade

Determinar o impacto real da NC ajuda a priorizar recursos. Nem todo desvio exige a mesma resposta — discernir o que é crítico do que é circunstancial é um passo estratégico.

  1. Análise da Causa Raiz (RCA)

Esse é o núcleo do processo. Ferramentas como os 5 Porquês, Diagrama de Ishikawa ou Análise de Falhas são indispensáveis para ir além dos sintomas e identificar o que realmente causou a falha.

  1. Ações Corretivas

Com a causa identificada, entra a ação. Aqui, o foco não é apenas resolver o problema atual, mas impedir que ele volte a ocorrer.

  1. Verificação de Eficácia

Implementar não basta. É preciso monitorar e testar se a ação corretiva atingiu o resultado esperado. A validação é o que fecha o ciclo com segurança.

  1. Documentação e Rastreabilidade

Todo o processo precisa estar documentado de forma acessível e auditável. Isso é vital para garantir conformidade regulatória, responder a auditorias e manter a cultura da transparência.

Como um sistema LIMS Transforma a Gestão de NCs e ACs

Gerenciar NCs e ACs manualmente é possível — mas altamente suscetível a falhas, retrabalhos e perda de informações críticas. O LIMS foi pensado para resolver exatamente esse desafio, oferecendo uma abordagem integrada e inteligente para laboratórios.

Veja como: 

  • Registro Centralizado e Padronizado: O LIMS oferece um local centralizado para registrar todas as não conformidades. Isso garante que nenhuma informação seja perdida e que todos os dados relevantes sejam capturados de forma consistente. 
  • Rastreabilidade Aprimorada: O sistema pode rastrear cada não conformidade desde a sua identificação até a sua resolução. Isso inclui quem relatou, quando foi relatado, as causas identificadas, as ações corretivas implementadas e os resultados da verificação. 
  • Facilitação da Análise de Causa Raiz: Ao armazenar dados históricos sobre não conformidades, o LIMS ajuda a identificar tendências e padrões que podem não ser aparentes de outra forma. Isso é super relevante para a análise de causa raiz. 
  • Gerenciamento de Ações Corretivas: O LIMS pode ser usado para atribuir tarefas, definir prazos e monitorar o progresso das ações corretivas. Isso garante que as ações sejam implementadas de forma eficiente e dentro do prazo. 
  • Geração de Relatórios e Análises: O LIMS gera relatórios detalhados sobre não conformidades e ações corretivas. Esses relatórios podem ser usados para monitorar o desempenho, identificar áreas de melhoria e demonstrar conformidade aos órgãos reguladores. 
  • Integração com Outros Módulos: Muitas vezes, as não conformidades estão ligadas a outros aspectos do laboratório, como calibração de equipamentos, treinamento de pessoal ou gerenciamento de amostras. O LIMS pode integrar esses diferentes módulos, fornecendo uma visão 360º das operações do laboratório, ajudando a identificar as causas raiz das NCs de forma mais eficaz. 

Exemplos Práticos em Laboratórios

Vamos considerar alguns exemplos práticos de como um LIMS pode ser aplicado em diferentes cenários de laboratório: 

Indústria Farmacêutica: 

  • Não Conformidade: Um lote de matéria-prima falha no teste de pureza. 
  • Ação com LIMS: O resultado do teste é registrado no LIMS. O sistema pode automaticamente sinalizar o lote como não conforme, impedir sua liberação para produção e notificar o pessoal relevante. A investigação da causa raiz pode ser documentada no sistema, incluindo quaisquer ações corretivas tomadas, como a rejeição do lote e a revisão dos procedimentos de amostragem. 

Indústria Alimentícia: 

  • Não Conformidade: Contaminação microbiológica detectada em um produto acabado. 
  • Ação com LIMS: O sistema registra os resultados dos testes microbiológicos. Se um limite de contaminação for excedido, o sistema pode acionar um alerta. A investigação pode envolver a revisão dos registros de limpeza dos equipamentos, o rastreamento dos ingredientes até suas origens e a verificação das práticas de higiene dos funcionários. As ações corretivas, como a intensificação da limpeza ou o treinamento adicional dos funcionários, são gerenciadas e documentadas no LIMS. 

Indústria Química: 

  • Não Conformidade: Um instrumento de medição (por exemplo, um espectrofotômetro) está fora da calibração. 
  • Ação com LIMS: O sistema pode gerenciar o cronograma de calibração de todos os instrumentos. Se um instrumento estiver fora da calibração, o sistema pode impedir seu uso até que seja recalibrado. Os registros de calibração são mantidos no LIMS, fornecendo um histórico completo do desempenho do instrumento. 

Laboratório Ambiental: 

  • Não Conformidade: Uma amostra de água excede o limite regulatório para um determinado poluente. 
  • Ação com LIMS: O resultado analítico é registrado no sistema que pode automaticamente sinalizar a não conformidade e notificar as partes interessadas. A investigação pode envolver a revisão dos métodos de amostragem e análise, bem como a identificação de possíveis fontes de contaminação. As ações corretivas, como a implementação de medidas de controle de poluição ou a notificação às autoridades regulatórias, são documentadas e rastreadas no LIMS. 

Por que a ação corretiva não elimina a causa

O indicador que revela se a gestão de não conformidades funciona não é o número de NCs registradas, é a taxa de reincidência do mesmo tipo de desvio. Quando ela não cai, a causa costuma estar em uma de seis confusões de processo, todas identificáveis. A tabela abaixo separa o que foi feito do que deveria ter sido feito em cada caso.

O que costuma ser registrado como ação corretivaO que realmente éO que faltou
“Amostra reanalisada e resultado aprovado”Correção do caso, não ação corretivaInvestigar por que o primeiro resultado desviou
“Equipe orientada” ou “reforçado o treinamento”Ação sobre a pessoa, não sobre o processoVerificar se o processo permite o erro acontecer
“Procedimento atualizado”Ação documentalConfirmar que a prática mudou, não só o texto
“Equipamento recalibrado”Correção do equipamentoPor que se usou equipamento fora de validade
“Fornecedor notificado”Repasse de responsabilidadeControle de recebimento que intercepte antes do uso
Ação fechada sem verificação de eficáciaRegistro incompletoPrazo e critério para confirmar que resolveu
As três primeiras linhas respondem por quase toda a reincidência: tratam o caso, a pessoa ou o documento, e não a condição que permitiu o desvio.

Vale desenvolver a segunda linha, porque é a mais comum e a menos eficaz. “Equipe orientada” é uma ação sobre a pessoa, e funciona quando o desvio decorreu de desconhecimento. O problema é que a maior parte dos desvios de laboratório não decorre disso: decorre de o processo permitir que o erro aconteça sem sinalizar. Um analista experiente e atento lança resultado com equipamento descalibrado na mesma proporção que um iniciante, porque nada no fluxo o impede. Nesse caso, orientar a equipe é registrar uma ação que não altera a probabilidade de repetição, e a reincidência confirma isso alguns meses depois. A ação corretiva eficaz nesse exemplo é o bloqueio condicional: o sistema impede o lançamento. A sexta linha completa o raciocínio — sem prazo e critério de verificação de eficácia, nem se saberá se a ação escolhida funcionou. Os requisitos de registro que sustentam essa cadeia estão no guia de integridade de dados em cGMP do FDA.

Conclusão

A gestão de não conformidades e ações corretivas não precisa ser um processo burocrático ou desgastante. Quando bem estruturada — e apoiada por uma ferramenta moderna e confiável— ela se transforma em um verdadeiro motor de melhoria contínua.

Com controle centralizado, rastreabilidade total e respostas ágeis, seu laboratório ganha mais do que conformidade: ganha eficiência, previsibilidade e segurança para atuar com excelência mesmo diante dos imprevistos.

No fim das contas, qualidade não é sobre evitar falhas a todo custo — é sobre saber enfrentá-las com inteligência, método e tecnologia. E isso começa com as ferramentas certas.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre correção e ação corretiva?

Correção resolve o caso: reanalisar a amostra, recalibrar o equipamento, corrigir o registro. Ação corretiva elimina a causa para que o caso não se repita. A distinção é a origem de quase toda a reincidência, porque o que se registra como ação corretiva é frequentemente apenas a correção. O teste é direto: se a ação registrada não alterou nenhuma condição do processo, ela é correção, e a probabilidade de repetição permanece intacta.

Por que “equipe orientada” raramente resolve uma não conformidade?

Porque é uma ação sobre a pessoa, e funciona apenas quando o desvio decorreu de desconhecimento. A maior parte dos desvios de laboratório não decorre disso: decorre de o processo permitir que o erro aconteça sem sinalizar. Um analista experiente lança resultado com equipamento descalibrado na mesma proporção que um iniciante, porque nada no fluxo o impede. A ação eficaz nesse caso é o bloqueio condicional, não a orientação.

Como saber se a gestão de não conformidades está funcionando?

Pela taxa de reincidência do mesmo tipo de desvio, não pelo número de NCs registradas. Aumento de registros pode ser bom sinal, indicando que o sistema detecta mais; reincidência estável indica que as ações tratam sintoma. Para medir isso é preciso conseguir agrupar as ocorrências por tipo e período, o que exige que a NC seja classificada no registro e não descrita apenas em texto livre.

O que é verificação de eficácia e por que ela é obrigatória?

É a confirmação, depois de um prazo definido, de que a ação corretiva de fato eliminou a causa. Sem ela a ação é fechada por conclusão de tarefa, não por resultado, e o laboratório não tem como afirmar que resolveu. É um dos achados de auditoria mais frequentes na área, e o mais simples de evitar: basta que o registro da ação inclua prazo e critério objetivo de verificação no momento em que ela é aberta.

Felippe Domingos

Felippe Domingos

Felippe Domingos é engenheiro químico e Co-Fundador da Actiz, empresa que oferece o LIMS mais avançado da América Latina para otimizar a gestão de laboratórios, com foco em eficiência e redução de custos.

Com mais de 200 projetos em setores como farmacêutico, alimentos e petroquímico, Felippe acumulou vasta experiência na implementação de sistemas LIMS. Em 2020, após um pedido de uma indústria de petróleo na Colômbia, fundou a Actiz, uma solução moderna e acessível, especialmente desenvolvida para atender os desafios de laboratórios na América Latina.

Hoje, a Actiz está presente em 4 países, atendendo segmentos como alimentos, biotecnologia e meio ambiente. Felippe compartilha suas ideias sobre automação e digitalização laboratorial no LinkedIn. Conecte-se com ele para saber mais sobre o futuro dos laboratórios com LIMS.

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