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Boas Práticas de Laboratório (BPL)

Entenda o que são Boas Práticas de Laboratório (BPL), a importância e como um LIMS ajuda garantir qualidade e rastreabilidade e conformidade.

As Boas Práticas de Laboratório (BPL) são um conjunto de diretrizes fundamentais para garantir a qualidade, a segurança e a confiabilidade dos processos e resultados obtidos em um laboratório. Muito além de uma exigência regulatória, as BPL são indispensáveis para assegurar a integridade dos dados, a rastreabilidade e a credibilidade científica. 

Mas, afinal, você sabe exatamente o que são as Boas Práticas de Laboratório, para que servem e como aplicá-las no seu laboratório? Neste conteúdo, vamos responder a essas perguntas e mostrar também como a tecnologia, especialmente um LIMS, pode ser uma grande aliada no cumprimento dessas normas. 

O que são as Boas Práticas de Laboratório? 

De acordo com a NIT-DICLA 35 do INMETRO, as Boas Práticas de Laboratório (BPL) são um conjunto de princípios organizacionais e operacionais que asseguram a qualidade, a segurança e a confiabilidade dos ensaios realizados em laboratórios. 

Essas diretrizes têm como principal objetivo garantir que os resultados sejam precisos, íntegros, rastreáveis e confiáveis, além de promoverem a consistência nas operações laboratoriais. 

Vale destacar que essa normativa é voltada, principalmente, para laboratórios que realizam estudos não clínicos, como aqueles relacionados a: 

  • Meio ambiente; 
  • Segurança de medicamentos; 
  • Agrotóxicos; 
  • Cosméticos; 
  • Produtos veterinários. 

Por que as Boas Práticas de Laboratório são tão importantes? 

Implementar as BPL não é apenas uma obrigação normativa, mas sim uma estratégia para elevar a qualidade dos processos internos. 

Ao seguir essas diretrizes, o laboratório demonstra compromisso com a integridade científica, a excelência operacional e a conformidade com padrões reconhecidos internacionalmente. 

Entre os principais benefícios das BPL, estão: 

  • Aumento da credibilidade dos resultados e dos estudos realizados; 
  • Operações mais sistemáticas, organizadas e padronizadas; 
  • Redução de erros, falhas e retrabalhos; 
  • Maior facilidade em passar por inspeções e auditorias. 

Princípios das Boas Práticas de Laboratório 

As BPL abrangem uma série de princípios essenciais, que norteiam a operação de qualquer laboratório que busca qualidade e conformidade. São eles: 

  • Organização do laboratório: garante um ambiente físico estruturado, seguro e eficiente para as atividades. 
  • Treinamento de pessoal: assegura que todos os colaboradores estejam devidamente capacitados, atualizados e cientes de suas responsabilidades. 
  • Documentação: mantém registros completos, precisos e rastreáveis de todos os processos, garantindo a integridade dos dados. 
  • Gestão de equipamentos: inclui o uso adequado, a manutenção periódica e a calibração dos equipamentos laboratoriais. 
  • Amostragem: estabelece critérios rigorosos para a coleta, o manuseio, a preservação e o armazenamento das amostras. 
  • Controle de qualidade: envolve a implementação de procedimentos que garantem a confiabilidade e a repetibilidade dos resultados. 

Como funciona o processo de reconhecimento das Boas Práticas de Laboratório? 

Para obter o reconhecimento formal de que segue as BPL, o laboratório precisa passar por um processo de inspeção conduzido por órgãos competentes, como o INMETRO. 

Durante essa auditoria, são avaliados diversos critérios, incluindo: 

  • Estrutura física e organizacional; 
  • Procedimentos operacionais e administrativos; 
  • Limpeza e organização do ambiente; 
  • Capacitação técnica dos profissionais; 
  • Documentação de processos e registros; 
  • Gestão de equipamentos e materiais. 

Estar em conformidade com todos esses requisitos é fundamental para conquistar o selo de boas práticas e, assim, ampliar a credibilidade do laboratório no mercado. 

Quais riscos as Boas Práticas de Laboratório ajudam a minimizar? 

A adoção das BPL é crucial para mitigar riscos operacionais, ambientais e à saúde pública. 

Essas diretrizes garantem que produtos e processos, especialmente aqueles com impacto direto na sociedade, como medicamentos, cosméticos e agrotóxicos, sejam desenvolvidos e testados de forma segura, confiável e dentro dos padrões regulatórios. 

Entre os principais riscos minimizados pelas BPL estão: 

  • Riscos ambientais; 
  • Riscos à saúde pública; 
  • Erros que comprometam a validade dos estudos e laudos; 
  • Perdas de dados, amostras e rastreabilidade dos processos. 

Como um LIMS ajuda na aplicação das Boas Práticas de Laboratório? 

A implementação de um Sistema de Gerenciamento de Informações Laboratoriais (LIMS), também conhecido como Laboratory Information Management System, é uma estratégia fundamental para laboratórios que buscam aderir às BPL de forma mais eficiente e segura. 

Esse sistema permite: 

  • Automatizar processos operacionais e de gestão de dados; 
  • Garantir a rastreabilidade completa de amostras, processos e resultados; 
  • Reduzir erros manuais, por meio da digitalização e integração das informações; 
  • Facilitar a geração de relatórios, trilhas de auditoria e gestão documental; 
  • Acompanhar a manutenção, calibração e uso de equipamentos de forma sistematizada; 
  • Suportar inspeções e auditorias, oferecendo acesso rápido e organizado às informações exigidas. 

O Actiz LIMS é uma solução desenvolvida exatamente para atender às necessidades dos laboratórios que buscam excelência, qualidade e conformidade com as Boas Práticas de Laboratório

Leia também: O papel dos sistemas LIMS na garantia da qualidade e conformidade com as BPL 

Boas Práticas de Laboratório (BPL): o que são e por que são essenciais? — canal da Actiz no YouTube.

BPL, BPF e ISO/IEC 17025 lado a lado

A dúvida mais frequente sobre BPL não é o que ela é, e sim como ela se distingue das outras normas que o laboratório também precisa atender. As três se sobrepõem em integridade de dados e divergem em finalidade, o que determina qual se aplica ao seu caso. A tabela abaixo faz a comparação.

BPLBPFISO/IEC 17025
Aplica-se aEstudos não clínicos de segurançaFabricação de medicamentos e insumosLaboratórios de ensaio e calibração
Pergunta centralO estudo é reconstruível por terceiros?O processo produz com consistência?O laboratório é tecnicamente competente?
Foco do controleRegistro completo do estudoLote e sua documentaçãoValidade do resultado e rastreabilidade metrológica
ReconhecimentoPor autoridade competenteAutorização e inspeção sanitáriaAcreditação por organismo
Unidade de garantia da qualidadeExigida e independenteExigidaNão nesse formato; há requisitos equivalentes
Integridade de dadosExigidaExigidaExigida
A última linha é idêntica nas três: é por isso que o mesmo sistema de registro atende a todas, mesmo com finalidades diferentes.

Essa última linha tem uma consequência prática de projeto que vale explicitar. Como a exigência de integridade de dados é a mesma nas três, ela deve ser resolvida uma única vez, na capacidade técnica do sistema: credencial individual, dado bruto preservado, trilha de auditoria automática, prazo de retenção com recuperabilidade. O que varia por norma é a camada documental, ou seja, quais procedimentos existem, com qual estrutura, e para qual autoridade a evidência será apresentada. Laboratórios que precisam atender a mais de uma frequentemente constroem controles técnicos paralelos, um por norma, o que multiplica custo sem aumentar conformidade. Os atributos esperados estão descritos no guia de integridade de dados em cGMP do FDA, e a exigência de trilha não desativável no 21 CFR Part 11.

Saiba mais sobre BPL no nosso YouTube 

Preparamos no nosso YouTube um vídeo sobre como as BPL funcionam, a sua importância e como aplicá-las no seu laboratório. A Luisa Coser, coordenadora de Onboarding na Actiz explica todos esses pontos de forma prática e didática.  

Garanta a qualidade no laboratório com as Boas Práticas e um LIMS 

Seguir as Boas Práticas de Laboratório não é apenas uma exigência normativa, mas uma estratégia essencial para laboratórios que desejam garantir qualidade, segurança, confiabilidade e relevância no mercado. 

E com o apoio de um LIMS, como o Actiz, essa jornada se torna muito mais ágil, eficiente e segura. 

Quer saber como implementar um LIMS no seu laboratório e alinhar-se às BPL? Fale com nossos especialistas! 

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre BPL, BPF e ISO/IEC 17025?

A finalidade. As Boas Práticas de Laboratório aplicam-se a estudos não clínicos de segurança e perguntam se o estudo é reconstruível por terceiros. As Boas Práticas de Fabricação aplicam-se à produção de medicamentos e insumos e perguntam se o processo produz com consistência. A ISO/IEC 17025 aplica-se a laboratórios de ensaio e calibração e pergunta se o laboratório é tecnicamente competente. A distinção aparece também no que cada uma controla: em BPL o objeto é o registro completo do estudo; em BPF, o lote e sua documentação; na 17025, a validade do resultado e a rastreabilidade metrológica. E o reconhecimento segue caminhos diferentes — o de BPL vem de inspeção por órgão competente, como o INMETRO, o de BPF de autorização e inspeção sanitária, e o da 17025 de acreditação. As três coincidem na exigência de integridade de dados, que é onde o esforço técnico se concentra.

Um laboratório pode precisar atender a mais de uma dessas normas?

Pode, e é comum. O ponto que economiza dinheiro é perceber que a exigência de integridade de dados é praticamente idêntica nas três, e portanto deve ser resolvida uma única vez na capacidade técnica do sistema: credencial individual, dado bruto preservado, trilha de auditoria automática e retenção com recuperabilidade. O que varia por norma é a camada documental — o que se escreve, com que nome e para quem se apresenta. Construir controles técnicos paralelos, um por norma, multiplica custo sem aumentar conformidade, porque o inspetor de qualquer das três vai pedir a mesma evidência de fundo: quem gerou aquele dado, quando, com que equipamento e sob qual versão do método. Na prática, o laboratório que resolve a integridade uma vez passa a tratar cada norma como um recorte de apresentação, e não como um projeto novo.

A unidade de garantia da qualidade das BPL precisa ser independente?

Sim, e essa é uma das distinções mais concretas das BPL. A unidade de garantia da qualidade precisa ser independente da execução do estudo, o que significa que quem inspeciona não pode ser quem conduziu. Na prática isso gera um requisito organizacional, e não apenas documental: é preciso haver alguém com autonomia para relatar achados sem subordinação a quem executou. Inspeção feita por participante do estudo é um achado clássico nessa área. A consequência operacional aparece no registro, e não no organograma: para demonstrar independência não basta afirmar no procedimento quem responde a quem, é preciso que cada inspeção fique registrada com autoria e data própria, e que essa autoria seja distinta da autoria da execução do estudo. Quando os dois papéis compartilham a mesma credencial de acesso, a separação existe no papel e desaparece exatamente onde o inspetor vai olhar primeiro.

O que conta como dado bruto em BPL?

O registro original da observação, no formato em que foi produzido, incluindo saídas de equipamento, anotações contemporâneas e resultados descartados com a respectiva justificativa. Não é o valor final aprovado nem a planilha consolidada. A distinção tem consequência direta: se o arquivo do equipamento não é preservado e apenas o número transcrito permanece, o laboratório mantém a versão editada da história, e a reconstrução que as BPL exigem deixa de ser possível. Daí decorrem duas obrigações que costumam ser tratadas como detalhe de TI e são de conformidade: o dado bruto precisa ser retido por prazo definido e, sobretudo, precisa continuar recuperável nesse prazo — arquivo íntegro em formato ilegível não cumpre o requisito. Resultado descartado também é dado bruto, e apagá-lo em vez de justificá-lo é o caminho mais rápido para um achado de integridade.

Felippe Domingos

Felippe Domingos

Felippe Domingos é engenheiro químico e Co-Fundador da Actiz, empresa que oferece o LIMS mais avançado da América Latina para otimizar a gestão de laboratórios, com foco em eficiência e redução de custos.

Com mais de 200 projetos em setores como farmacêutico, alimentos e petroquímico, Felippe acumulou vasta experiência na implementação de sistemas LIMS. Em 2020, após um pedido de uma indústria de petróleo na Colômbia, fundou a Actiz, uma solução moderna e acessível, especialmente desenvolvida para atender os desafios de laboratórios na América Latina.

Hoje, a Actiz está presente em 4 países, atendendo segmentos como alimentos, biotecnologia e meio ambiente. Felippe compartilha suas ideias sobre automação e digitalização laboratorial no LinkedIn. Conecte-se com ele para saber mais sobre o futuro dos laboratórios com LIMS.

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