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Recalls na indústria de alimentos: como evitar

Descubra os principais precursores que impulsionam o aumento dos recalls na indústria de alimentos e como um sistema LIMS pode ajudar.

Você sabia que, de acordo com as agências reguladoras globais, os números de recalls de alimentos e bebidas estão previstos para atingir o pico nos próximos 5 anos?

Isso levanta uma questão crucial: por que estamos testemunhando um aumento tão significativo nas questões de segurança e qualidade alimentar? Quais fatores estão contribuindo para essa tendência?

Um artigo recente publicado por Robert Manning na Food Safety Magazine – Recall Forensics: Uncovering the Hidden Triggers Behind the Surge in Food and Beverage Recalls—Part 1 e Part 2, tenta responder todas essas perguntas.

Com mais de 30 anos de experiência em operações de qualidade, e lidando diretamente com vários recalls e investigações, Robert Manning compartilha um insight importante: existem precursores que, se identificados e corrigidos a tempo, podem evitar esses recalls caros e danosos à imagem da empresa.

Neste artigo, vou compartilhar com você alguns dos principais precursores mencionados por Robert e discuto como um Sistema de Gerenciamento de Informações de Laboratório (LIMS) pode auxiliar nesta jornada.

Precursor 1: Liderança

Robert cita que a liderança não é só o pilar do sucesso da empresa; ela é fundamental para evitar grandes desafios operacionais. Quando os líderes estão realmente comprometidos com a segurança alimentar e a qualidade, alinhando esses valores à eficiência operacional, os resultados tendem a ser muito melhores.

O problema é que muitos líderes ainda buscam um único foco: aumentar a produção. Outros, por sua vez, utilizam uma abordagem excessivamente conservadora, onde a cautela excessiva impede a inovação e o progresso.

Em ambos os cenários, a ausência de equilíbrio entre crescimento e integridade operacional geralmente resulta em retrocessos.

A liderança eficaz é mais do que apenas impulsionar a produção; trata-se de alinhar a estratégia com os principais valores operacionais, como segurança e qualidade dos alimentos. As empresas que atingem esse equilíbrio superam os concorrentes, reduzem o risco e constroem marcas mais fortes que resistem ao tempo.

Veja mais: Rastreabilidade e Eficiência na Indústria de Alimentos com LIMS | Podcast Além do LIMS #2

Precursor 2: Cultura Organizacional

A cultura de uma empresa pode ser sua maior força e seu maior desafio, especialmente na indústria de alimentos e bebidas, onde os riscos operacionais são altos.

Um desafio significativo é ter uma cultura que carece de disciplina e permite a execução inconsistente de políticas e procedimentos. Embora a maioria das políticas seja projetada para garantir a eficiência operacional e de segurança alimentar, a falha em segui-las consistentemente é uma receita para o desastre. Sem um sistema para rastrear e gerenciar mudanças de procedimentos, as empresas correm o risco de agravar problemas ou criar novos problemas sem perceber.

Além disso, o sucesso requer disciplina em seguir políticas e procedimentos, promover a colaboração interdepartamental e criar um ambiente de segurança psicológica onde os funcionários se sintam à vontade para escalar problemas. As empresas que incentivam a melhoria contínua e permitem feedbacks construtivos estão mais bem posicionadas para o sucesso a longo prazo.

Precursor 3: Tecnologia

Robert Manning cita que a tecnologia, quando implementada estrategicamente, pode gerar melhorias significativas em eficiência, precisão e desempenho geral. Ao abordar a adoção da tecnologia com intenção e cuidado, as organizações podem maximizar seus benefícios e, ao mesmo tempo, minimizar os riscos potenciais.

Mas quais tecnologias poderiam ajudar o controle de qualidade de uma indústria de alimentos? Na minha percepção, uma das que se destacam é o Sistema de gerenciamento de Informações de Laboratórios (LIMS). Com a implementação de um sistema LIMS, as indústrias de alimentos alcançam melhorias significativas em eficiência e qualidade, assegurando a inspeção rigorosa de todos os lotes de insumos, matérias-primas, materiais de embalagens e produtos, garantindo que atendam às condições de qualidade e segurança definidas para a fabricação.

A rastreabilidade oferecida pelo sistema facilita a correção rápida de não conformidades e irregularidades, além de otimizar a operação e reduzir erros.

Além disso, um sistema LIMS moderno reforça a cultura de qualidade nas indústrias, oferecendo transparência e acessibilidade aos dados, o que facilita a rastreabilidade, a comunicação entre setores e a identificação de falhas. Isso resulta em decisões mais informadas, maior colaboração e cumprimento das normas vigentes.

Precursor 4: Manutenção

A manutenção, seja reativa ou preventiva, é crucial para o sucesso das operações de manufatura. Quando negligenciada ou realizada fora das recomendações do fabricante, ela pode resultar em falhas operacionais e recalls. Algumas empresas ajustam os cronogramas de manutenção sem entender completamente os riscos, o que leva a quebras dispendiosas e tempo de inatividade prolongado.

Além disso, fatores como corridas de produção mais longas e uso excessivo de equipamentos exigem ajustes nos planos de manutenção para evitar falhas prematuras.

Outro desafio é a rotatividade de funcionários, que pode resultar em lacunas de conhecimento, aumentando a chance de erros na manutenção. Para evitar esses problemas, é essencial implementar programas de manutenção preventiva, usar componentes adequados e fornecer treinamento contínuo à equipe. Assim, as empresas podem reduzir falhas mecânicas, minimizar o tempo de inatividade e garantir a segurança dos produtos e consumidores.

Precursor 5: Gestão de Mudanças

O gerenciamento de mudanças é essencial para a fabricação de alimentos e bebidas, pois garante uma abordagem estruturada para avaliar e implementar alterações de forma segura.

Sem um programa eficaz, as empresas correm riscos significativos, como falhas no produto, questões de segurança e recalls. A principal dificuldade é que os impactos de uma mudança podem não ser visíveis imediatamente, surgindo problemas só depois que os produtos chegam aos consumidores.

Por isso, o monitoramento contínuo é fundamental. Um processo bem-sucedido envolve definir claramente o escopo, envolver todas as equipes e ter uma colaboração entre departamentos. Documentação e comunicação clara são essenciais para o sucesso.

Empresas que implementam um programa de gerenciamento de mudanças eficaz reduzem riscos e promovem uma cultura de responsabilidade e melhoria contínua, garantindo a qualidade do produto e a confiança do consumidor.

O que define o custo de um recall

Recall é um evento cujo custo varia em ordens de magnitude conforme a qualidade do registro, e não conforme a gravidade do problema. Dois recolhimentos pelo mesmo desvio podem custar valores completamente diferentes, dependendo de quanto a empresa consegue delimitar. A tabela abaixo mostra o que determina essa diferença.

Pergunta a responderCom rastreabilidade fracaCom rastreabilidade forte
Quais lotes usaram o insumo suspeito?Todo o período em que ele pode ter sido usadoApenas os lotes que efetivamente o consumiram
Para onde esses lotes foram?Toda a base de clientes do períodoOs clientes e as praças que receberam aqueles lotes
Quanto ainda está em estoque?EstimativaSaldo por lote, com posição
O desvio já ocorreu antes?Investigação manual no históricoConsulta por tipo de desvio e período
Qual a causa raiz?Reconstituição a partir de várias fontesHistórico do lote com ensaios, insumos e equipamentos
Em quanto tempo isso é respondido?Dias, sob pressão de imprensa e clienteHoras, com escopo definido
A última linha é a que mais pesa: em recall, o tempo de resposta afeta tanto o custo direto quanto o dano de reputação.

Vale explicitar a lógica que atravessa a tabela: sem registro que delimite, a decisão prudente é sempre ampliar o escopo até a fronteira do que se consegue afirmar. Isso significa recolher produto conforme, não por falta de qualidade, mas por falta de informação, e essa é a maior parcela de custo evitável em um recall. A quarta linha acrescenta um efeito de segunda ordem: quando não é possível consultar o histórico por tipo de desvio, cada ocorrência é tratada como evento isolado, a ação corretiva vira correção pontual, e a probabilidade de repetição permanece. O Codex Alimentarius trata rastreabilidade como elemento do sistema de segurança de alimentos por essa razão, e a OMS reúne o panorama de doenças transmitidas por alimentos que justifica o rigor.

Conclusão

A indústria de alimentos e bebidas opera em um ambiente de alto risco, onde o menor descuido pode levar a riscos significativos, incluindo falhas de produtos, recalls e perda de confiança do consumidor. As empresas podem construir uma estrutura robusta que mitigue esses riscos, identificando e abordando os principais precursores.

Robert conclui que, para minimizar riscos e evitar falhas dispendiosas, é essencial gerenciar bem os precursores críticos, como liderança, cultura organizacional, tecnologia, manutenção e gestão de mudanças. Empresas que incentivam uma cultura de inovação, melhoria contínua e responsabilidade conseguem transformar esses desafios em vantagens competitivas.

Ao adotar uma abordagem proativa e holística para gerenciar esses precursores, as organizações podem evitar falhas dispendiosas, impulsionar o crescimento sustentável e construir marcas mais fortes.

O objetivo final não é apenas a conformidade com os padrões do setor, mas superá-los para ganhar a confiança de consumidores, parceiros e partes interessadas. Com uma base sólida construída sobre esses princípios, as empresas se posicionam como líderes no setor, preparadas para enfrentar desafios e alcançar o sucesso a longo prazo.

Perguntas frequentes

Veja também: Recalls na indústria alimentícia: alerta

O que determina o custo de um recall de alimentos?

A qualidade do registro, mais que a gravidade do desvio. Dois recolhimentos pelo mesmo problema podem custar valores muito diferentes conforme a empresa consiga ou não delimitar quais lotes usaram o insumo suspeito, para onde foram, e quanto ainda está em estoque. Sem registro que delimite, a decisão prudente é ampliar o escopo até a fronteira do que se consegue afirmar, o que significa recolher produto conforme por falta de informação.

Como reduzir o escopo de um recall?

Mantendo três vínculos registrados antes de precisar deles: qual lote de matéria-prima entrou em qual lote de produto, para quais clientes e praças cada lote foi distribuído, e qual o saldo em estoque por lote. Com esses três, responder ao recall é uma consulta e o recolhimento atinge exatamente o necessário. Sem eles, cada pergunta exige investigação sob pressão de tempo, e a ampliação do escopo passa a ser a única resposta defensável.

Por que o tempo de resposta importa tanto em um recall?

Porque afeta as duas frentes de custo ao mesmo tempo. No custo direto, cada dia sem escopo definido significa mais produto distribuído e mais logística reversa. No dano de reputação, a diferença entre responder em horas com informação precisa e responder em dias com estimativas é o que define como o episódio é percebido por cliente, imprensa e órgão fiscalizador. É por isso que a preparação vale mais que a reação: o tempo de resposta é determinado pelo registro que já existia.

Ação corretiva de recall deve mudar o processo ou só corrigir o lote?

Deve atacar a causa, e o indicador de que isso não aconteceu é a reincidência do mesmo tipo de desvio. O obstáculo prático costuma ser a impossibilidade de consultar o histórico por tipo de ocorrência: quando cada evento é tratado como isolado, a ação corretiva vira correção pontual e a probabilidade de repetição permanece intacta. Poder consultar quantas vezes um mesmo tipo de desvio ocorreu, e em que condições, é o que transforma o registro em aprendizado.

Felippe Domingos

Felippe Domingos

Felippe Domingos é engenheiro químico e Co-Fundador da Actiz, empresa que oferece o LIMS mais avançado da América Latina para otimizar a gestão de laboratórios, com foco em eficiência e redução de custos.

Com mais de 200 projetos em setores como farmacêutico, alimentos e petroquímico, Felippe acumulou vasta experiência na implementação de sistemas LIMS. Em 2020, após um pedido de uma indústria de petróleo na Colômbia, fundou a Actiz, uma solução moderna e acessível, especialmente desenvolvida para atender os desafios de laboratórios na América Latina.

Hoje, a Actiz está presente em 4 países, atendendo segmentos como alimentos, biotecnologia e meio ambiente. Felippe compartilha suas ideias sobre automação e digitalização laboratorial no LinkedIn. Conecte-se com ele para saber mais sobre o futuro dos laboratórios com LIMS.

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