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Sustentabilidade no laboratório: o que dá para medir hoje

Descubra 7 formas de como o LIMS ajuda laboratórios a reduzir custos, otimizar recursos e alcançar metas de sustentabilidade com eficiência.

A pressão por sustentabilidade, impulsionada pela agenda ESG (Environmental, Social and Governance), nunca foi tão alta — tanto do ponto de vista regulatório quanto de mercado.

Segundo o United Nations Environment Programme (UNEP), laboratórios de pesquisa e controle de qualidade estão entre os maiores consumidores per capita de energia e água em ambientes corporativos, chegando a consumir até 10 vezes mais energia que um escritório tradicional¹.

Além disso, estudos publicados pela American Chemical Society (ACS) apontam que os resíduos laboratoriais podem representar de 5% a 10% do total de resíduos químicos perigosos gerados pela indústria².

Nesse cenário, a sustentabilidade deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar uma exigência de sobrevivência. A adoção de práticas mais verdes já está associada não apenas à redução de custos, mas também à mitigação de riscos regulatórios, maior retenção de talentos e valorização de marca.

É nesse ponto que os Laboratory Information Management Systems (LIMS) assumem um papel estratégico. Mais do que ferramentas para organizar dados, os LIMS modernos atuam como ecossistemas digitais integrados, capazes de:

  • Reduzir desperdícios de insumos,
  • Prolongar a vida útil de equipamentos,
  • Digitalizar processos críticos,
  • Gerir resíduos com rastreabilidade completa,
  • Apoiar conformidade com normas internacionais como ISO 14001 (gestão ambiental), ISO 17025 (competência de laboratórios) e diretrizes da BPL (Boas Práticas de Laboratório).

Neste artigo, apresento de forma prática como um LIMS pode transformar a forma como laboratórios industriais e de pesquisa encaram a sustentabilidade — não apenas como um ideal, mas como uma estratégia de inteligência de negócios.

O que dá para medir e reportar com o dado que o laboratório já tem

Sustentabilidade em laboratório costuma travar num ponto prático: a exigência de reportar chega antes de existir qualquer medição. A boa notícia é que a maior parte dos indicadores úteis se extrai de registros que a operação já mantém por outra razão. A tabela abaixo mostra quais são e de onde sai cada um. Para o enquadramento em metas de ESG, veja o papel do LIMS nas metas de ESG; para a gestão de resíduos, gerenciamento sustentável de resíduos.

IndicadorDe onde sai o dadoPor que é defensável
Resíduo gerado por classe e períodoRegistro de descarte com classificaçãoExigido por fiscalização; já deveria existir
Resíduo por ensaio executadoDescarte vinculado ao ensaioPermite comparar métodos por geração de resíduo
Insumo descartado por vencimentoControle de estoque e validadeÉ desperdício com valor financeiro conhecido
Reanálises por causaRegistro de repetição com justificativaCada reanálise é consumo duplicado de insumo e energia
Consumo de papel por laudoEmissão de documentos e impressõesMétrica simples, comunicável e verificável
Uso de equipamento por corridaRegistro de uso e agenda de equipamentoBase para consumo energético estimado
A quarta linha é a mais subestimada: reanálise é o desperdício menos contabilizado do laboratório, e consome insumo, energia e tempo de equipamento.

Vale desenvolver essa quarta linha, porque ela conecta sustentabilidade a algo que a operação já quer reduzir por outros motivos. Cada reanálise consome novamente reagente, padrão, tempo de equipamento e energia, e gera resíduo adicional. Quando as reanálises são classificadas por causa, aparece a fração que decorre de falha de registro em vez de problema técnico, e essa fração é evitável sem mexer no método. Ou seja, o mesmo indicador serve para o relatório de sustentabilidade e para a discussão de eficiência, o que é raro e vale explorar. A segunda linha permite algo ainda menos comum: comparar métodos alternativos para o mesmo parâmetro pela geração de resíduo, o que transforma uma decisão que costuma ser só técnica e de custo em uma decisão também ambiental, com número. E a recomendação geral que atravessa a tabela é começar reportando o que já se mede: relatório de sustentabilidade com dois indicadores verificáveis vale mais que um com dez estimativas que não resistem a pergunta.

1. Eficiência no uso de recursos

Laboratórios são ambientes com elevado consumo de reagentes, energia e água. Imagine a quantidade de recursos que são consumidos diariamente em um laboratório: energia para equipamentos que funcionam 24:7, água para lavagem de vidraria, reagentes caros e muitas vezes perigosos, e uma infinidade de consumíveis.

A ausência de controle adequado gera desperdícios, retrabalhos e aumento do impacto ambiental.

Um LIMS moderno atua como um maestro, orquestrando o uso desses recursos de forma inteligente. Ao centralizar e automatizar o planejamento de ensaios, o LIMS reduz a necessidade de repetições e garante maior rastreabilidade.

Além disso, o gerenciamento de insumos evita a aquisição excessiva e o descarte de reagentes vencidos, resultando em menor pegada ambiental e maior eficiência financeira.

2. Gestão de resíduos com rastreabilidade

Se a eficiência no uso de recursos é um pilar da sustentabilidade, a gestão de resíduos é, sem dúvida, a sua fundação.

Em laboratórios, lidamos com uma variedade de materiais, muitos deles perigosos, e o descarte inadequado pode ter consequências devastadoras para o meio ambiente e para a saúde pública. É aqui que a automação inteligente, novamente com o LIMS no centro, faz toda a diferença.

Um LIMS permite registrar a geração, a composição e a destinação de cada resíduo, assegurando rastreabilidade completa e conformidade com normas ambientais. A automação reduz falhas humanas, facilita a segregação correta e viabiliza processos de reciclagem ou descarte seguro.

3. Longevidade de equipamentos por manutenção proativa

Equipamentos de laboratório são investimentos significativos. E, como qualquer investimento, queremos que eles durem o máximo possível, certo?

A longevidade do equipamento não é apenas uma questão financeira; é um pilar importante da sustentabilidade. Quanto mais tempo um equipamento funciona eficientemente, menor a necessidade de substituí-lo, o que reduz o consumo de novos recursos e a geração de lixo eletrônico.

A chave para essa longevidade é a manutenção proativa. Segundo a US Department of Energy, práticas de manutenção proativa podem aumentar em até 20% a vida útil de equipamentos laboratoriais3.

Não é esperar que algo quebre para consertar, mas sim antecipar problemas e agir antes que eles aconteçam. E como o LIMS entra nessa equação?

O LIMS oferece uma excelente maneira de gerenciar seus equipamentos de laboratório, garantindo seufuncionamento contínuo. 

Em vez de apagar incêndios, com o LIMS é possível garantir que o equipamento esteja sempre devidamente calibrado, receba a manutenção adequada e seja monitorado adequadamente quanto ao desempenho ao longo do tempo.

Um LIMS moderno também economiza muito tempo, liberando os profissionais do laboratório da maior parte do trabalho de supervisão dos equipamentos.

É um ciclo virtuoso: o LIMS otimiza o fluxo de trabalho, libera tempo da equipe, que por sua vez, cuida melhor dos equipamentos, aumentando sua longevidade e contribuindo para um laboratório mais sustentável e economicamente viável.

4. Digitalização e redução do consumo de papel

Em um mundo cada vez mais conectado e digital, ainda vejo laboratórios soterrados em pilhas de papel: fichas de amostras, relatórios de análises, manuais de procedimento, anotações em logbook, registros de dados brutos, rastreabilidade das soluções, tudo impresso, arquivado e, muitas vezes, perdido.

Além do impacto ambiental óbvio do consumo de papel, essa dependência do físico gera ineficiência, erros e um ambiente de trabalho desorganizado.

A transição para processos digitais não é apenas uma tendência; é uma necessidade para qualquer laboratório que busca ser sustentável e competitivo. E o LIMS é o protagonista dessa transformação.

A digitalização dos processos, viabilizada por um LIMS, centraliza todas as informações em um repositório eletrônico com total rastreabilidade. Além da redução significativa no uso de papel, essa abordagem eleva a eficiência operacional e a confiabilidade dos registros.

Um laboratório sem papelé um laboratório mais eficiente, mais seguro e, sem dúvida, mais sustentável.

5. Responsabilidade social e condições de trabalho

Sustentabilidade, para mim, vai muito além do ambiental. Ela abraça o social, e isso significa cuidar das pessoas que fazem o laboratório funcionar. Nossos colaboradores são o ativo mais valioso, e garantir condições de trabalho justas, um ambiente seguro e a promoção da saúde e bem-estar deles é uma responsabilidade inegociável.

Um ambiente de trabalho estressante, com processos manuais repetitivos, sobrecarga de tarefas e a constante pressão por resultados, não é sustentável a longo prazo.

E é aqui que as ferramentas digitais, e novamente o LIMS, desempenham um papel crucial.

Com a automação proporcionada por um LIMS, há redução de atividades burocráticas e maior foco em tarefas analíticas de valor agregado.

Quando a equipe se sente valorizada, segura e com as ferramentas certas para realizar seu trabalho, a produtividade aumenta, a rotatividade diminui e a qualidade do serviço prestado melhora.

A responsabilidade social, portanto, não é apenas um item a ser marcado em uma lista de conformidade; é um investimento no capital humano que impulsiona o sucesso e a sustentabilidade do laboratório como um todo.

6. Operação em nuvem e redução da pegada de carbono

O LIMS moderno pode ser operado na nuvem, oferecendo benefícios adicionais de sustentabilidade. As soluções baseadas em nuvem permitem uma melhor utilização de recursos em comparação com os sistemas locais, pois as capacidades de computação podem ser dimensionadas de acordo com a demanda. Isso otimiza o uso de energia e evita o consumo desnecessário de recursos.

Além disso, muitos provedores de nuvem agora são neutros em CO2, compensando suas emissões por meio de energia renovável ou projetos de compensação de CO2.

A utilização de um LIMS baseado em nuvem pode reduzir ainda mais a pegada de carbono de um laboratório.

7. Monitoramento e relatórios de sustentabilidade

A mensuração de indicadores é fundamental para qualquer estratégia de sustentabilidade. Um LIMS oferece relatórios detalhados sobre consumo de energia, uso de materiais, geração de resíduos e indicadores de conformidade.

Essa capacidade permite não apenas a melhoria contínua dos processos, mas também maior transparência junto a auditorias, órgãos reguladores e stakeholders.

Conclusão

A eficiência no uso de recursos, a gestão inteligente de resíduos, a longevidade dos equipamentos, a digitalização dos processos e, fundamentalmente, o cuidado com as pessoas que fazem a roda da SUSTENTABILIDADE girar.

Para o planeta, é uma questão de sobrevivência. Para o laboratório, é uma questão de inteligência de negócios.

Laboratórios que abraçam a sustentabilidade não apenas reduzem custos operacionais e minimizam riscos, mas também fortalecem sua reputação, atraem talentos e se posicionam como líderes em um mercado cada vez mais consciente. É um poderoso impulsionador de marketing, mostrando ao mundo que seu compromisso vai além dos resultados analíticos.

Então, meu convite é para que vocês olhem para a sustentabilidade não como um fardo, mas como uma oportunidade. Uma oportunidade de inovar, de ser mais eficiente, de cuidar melhor do seu time e de contribuir para um futuro mais verde e próspero. O futuro do laboratório é sustentável, e o LIMS é o caminho para chegar lá.

Referências

  1. UNEP (United Nations Environment Programme). Greening Universities Toolkit: Transforming Universities into Green and Sustainable Campuses. 2014.
  2. American Chemical Society (ACS). Green Chemistry and Engineering in the Laboratory. 2020.
  3. US Department of Energy. Operations and Maintenance Best Practices Guide. 2010.

Para uma visão mais ampla sobre o tema, veja nosso guia completo de sustentabilidade e ESG em laboratórios.

Perguntas frequentes

Quais indicadores de sustentabilidade um laboratório pode medir?

Seis se extraem de registros que a operação já mantém por outra razão: resíduo gerado por classe e período, resíduo por ensaio executado, insumo descartado por vencimento, reanálises classificadas por causa, consumo de papel por laudo, e uso de equipamento por corrida como base para consumo energético. Nenhum deles exige instrumentação nova, apenas que o registro existente tenha o contexto que permita agrupá-lo.

Qual o desperdício menos contabilizado em um laboratório?

A reanálise. Cada repetição consome novamente reagente, padrão, tempo de equipamento e energia, e gera resíduo adicional, mas raramente aparece em qualquer relatório de desperdício. Quando as reanálises são classificadas por causa, fica visível a fração que decorre de falha de registro em vez de problema técnico, e essa fração é evitável sem mexer no método. É o indicador que serve simultaneamente ao relatório ambiental e à discussão de eficiência.

É possível comparar métodos pela geração de resíduo?

É, e é uma das análises menos comuns e mais úteis, mas exige um vínculo específico: o descarte registrado por ensaio executado, e não apenas por período. Com esse vínculo, escolher entre dois métodos alternativos para o mesmo parâmetro passa a considerar também a geração de resíduo, com número em vez de percepção. Transforma uma decisão que costuma ser apenas técnica e de custo em uma decisão também ambiental.

Como começar um relatório de sustentabilidade sem histórico?

Reportando o que já se mede, ainda que seja pouco. Um relatório com dois indicadores verificáveis, extraídos de registro existente, vale mais que um com dez estimativas que não resistem a uma pergunta sobre a origem do número. O caminho prático é começar pelo resíduo por classe, que a fiscalização já exige e portanto já deveria existir, e pelo insumo descartado por vencimento, que tem valor financeiro conhecido e é fácil de comunicar.

Felippe Domingos

Felippe Domingos

Felippe Domingos é engenheiro químico e Co-Fundador da Actiz, empresa que oferece o LIMS mais avançado da América Latina para otimizar a gestão de laboratórios, com foco em eficiência e redução de custos.

Com mais de 200 projetos em setores como farmacêutico, alimentos e petroquímico, Felippe acumulou vasta experiência na implementação de sistemas LIMS. Em 2020, após um pedido de uma indústria de petróleo na Colômbia, fundou a Actiz, uma solução moderna e acessível, especialmente desenvolvida para atender os desafios de laboratórios na América Latina.

Hoje, a Actiz está presente em 4 países, atendendo segmentos como alimentos, biotecnologia e meio ambiente. Felippe compartilha suas ideias sobre automação e digitalização laboratorial no LinkedIn. Conecte-se com ele para saber mais sobre o futuro dos laboratórios com LIMS.

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