Veja como o Actiz LIMS pode transformar seu laboratório

Peça uma demo

Falhas na rastreabilidade de amostras

Falhas na rastreabilidade de amostras comprometem a confiabilidade dos resultados laboratoriais, gerando riscos técnicos e regulatórios. Entenda as principais causas, impactos e como estruturar processos robustos com apoio de um Laboratory Information Management System (LIMS).

Falhas na rastreabilidade de amostras representam um dos riscos mais críticos dentro de um laboratório analítico. Quando não é possível reconstruir, de forma clara e documentada, o histórico completo de uma amostra, a confiabilidade do resultado fica comprometida. E, sem confiabilidade, o dado perde valor técnico e regulatório. Um exemplo comum: sem um código único vinculando amostra, resultado e laudo, uma simples troca de etiqueta pode fazer o laboratório emitir um certificado de análise para o cliente errado.

Em setores industriais, farmacêuticos, cosméticos e químicos, a rastreabilidade é o elo entre a amostra recebida e o laudo emitido. Portanto, qualquer lacuna nesse fluxo gera incerteza, retrabalho e exposição a não conformidades.

O que a ISO/IEC 17025 exige sobre rastreabilidade de amostras

A norma ISO/IEC 17025 exige um sistema de identificação único para cada amostra, capaz de evitar confusão física ou em registros, do recebimento até o descarte. Laboratórios acreditados pelo INMETRO/Cgcre são auditados especificamente quanto a essa cadeia de custódia.

O que é rastreabilidade de amostras no laboratório?

Rastreabilidade de amostras é a capacidade de acompanhar, de maneira documentada e sequencial, todo o ciclo de vida da amostra dentro do laboratório. Isso inclui recebimento, identificação, armazenamento, preparo, análise, registro de resultados e descarte.

Em termos práticos, significa responder com precisão perguntas como: quem recebeu a amostra, quando foi analisada, qual método foi utilizado, qual equipamento foi empregado e quem executou o ensaio.

Além disso, a rastreabilidade deve garantir que não haja troca, contaminação cruzada ou perda de identidade da amostra. Cada unidade precisa manter vínculo inequívoco com sua origem e com seus registros analíticos.

Sem esse controle, o resultado pode até estar tecnicamente correto, mas não há garantia de que pertence à amostra certa.

Principais causas de falhas na rastreabilidade

Falhas na rastreabilidade geralmente estão associadas a processos manuais excessivos, identificação inadequada e ausência de padronização documental.

Quando etiquetas são preenchidas manualmente sem conferência dupla, aumentam as chances de erro de identificação. Da mesma forma, planilhas paralelas e registros descentralizados dificultam a reconstrução do histórico da amostra.

Outro fator crítico é a ausência de controle no fluxo físico dentro do laboratório. Amostras armazenadas em locais não designados ou movimentadas sem registro formal criam lacunas difíceis de justificar posteriormente.

Além disso, a falta de integração entre registros analíticos e informações de recebimento compromete a consistência do sistema.

Consequências técnicas e regulatórias

As consequências de falhas na rastreabilidade são severas. Primeiramente, surge a dúvida sobre a integridade do resultado. Se não é possível demonstrar o caminho percorrido pela amostra, o dado torna-se questionável.

Em seguida, investigações internas tornam-se complexas e demoradas. A ausência de registros claros dificulta a identificação da causa raiz de desvios.

Do ponto de vista regulatório, falhas de rastreabilidade são frequentemente classificadas como não conformidades críticas. Isso ocorre porque a rastreabilidade é um dos pilares da integridade de dados.

Além disso, em situações mais graves, pode haver necessidade de repetição de ensaios, recolhimento de produtos ou revisão de lotes liberados com base em dados potencialmente comprometidos.

Como fortalecer a rastreabilidade no laboratório

Fortalecer a rastreabilidade exige ações concretas em cinco frentes:

  • Fluxo documentado em tempo real: estruturar um fluxo claro desde o recebimento da amostra até o arquivamento final dos registros, documentando cada etapa no momento em que ocorre — evitando registros retrospectivos.
  • Identificação inequívoca: usar códigos únicos que acompanhem a amostra durante todo o processo.
  • Armazenamento organizado: definir locais específicos e manter monitoramento adequado.
  • Treinamento da equipe: garantir que os profissionais entendam rastreabilidade como garantia de integridade científica, não como formalidade.
  • Auditorias internas periódicas: identificar pontos vulneráveis antes que se transformem em problemas críticos, atuando preventivamente.

Sistema LIMS como ferramenta estratégica para rastreabilidade

Nesse cenário, o sistema LIMS, Laboratory Information Management System, desempenha papel central na consolidação da rastreabilidade. O sistema permite gerar códigos únicos para cada amostra, registrar automaticamente todas as etapas do fluxo analítico e manter histórico completo de alterações.

Além disso, o LIMS integra informações de recebimento, preparo, análise e emissão de resultados em uma única plataforma. Como consequência, elimina-se a fragmentação de dados e reduz-se significativamente o risco de perda de informação.

O sistema também registra usuários responsáveis por cada ação, criando trilhas de auditoria detalhadas. Dessa forma, qualquer movimentação ou alteração pode ser rastreada com precisão.

Outra vantagem importante é a possibilidade de integração com equipamentos analíticos, reduzindo transcrição manual e fortalecendo a integridade dos dados.

Entretanto, é essencial destacar que a tecnologia não substitui disciplina operacional. Se a equipe não registrar corretamente as movimentações físicas da amostra, o sistema não conseguirá corrigir a falha. O LIMS é ferramenta de controle, mas a cultura de rastreabilidade deve estar incorporada à rotina.

Onde a cadeia de custódia da amostra se rompe

Rastreabilidade de amostra é uma cadeia de custódia: cada transferência precisa registrar quem entregou, quem recebeu, quando e em que condição. Na prática, a cadeia se rompe em pontos previsíveis, quase sempre nas transferências informais. A tabela abaixo percorre esses pontos.

Ponto de rupturaO que se perdeControle que fecha
Coleta sem identificação imediataVínculo entre amostra e origem realEtiqueta gerada e aplicada no ato da coleta
Transporte sem registro de condiçãoGarantia de que a amostra chegou íntegraRegistro de temperatura e tempo de trânsito
Recebimento sem conferência formalMomento em que a responsabilidade muda de mãosAceite registrado, com verificação de integridade
Aliquotagem sem vínculo à amostra-mãeRastreabilidade da alíquota até a origemIdentificação derivada, ligada à amostra original
Transferência entre setores sem registroLocalização e responsável no intervaloMovimentação registrada, com destino e responsável
Descarte sem registroProva de que a retenção foi cumpridaDescarte registrado, após o prazo de retenção
A quarta linha é a mais técnica e a mais esquecida: alíquota sem vínculo à amostra-mãe quebra a cadeia no meio dela.

Vale desenvolver essa quarta linha, porque é a que mais compromete investigações posteriores. Quando uma amostra é dividida em alíquotas para ensaios diferentes e cada alíquota recebe uma identificação nova, sem vínculo registrado com a amostra original, o laboratório perde a capacidade de reunir os resultados por amostra. O sintoma aparece meses depois, quando alguém precisa reconstruir todos os ensaios de uma amostra específica e descobre que eles existem sob identificações que ninguém consegue mais correlacionar. A identificação derivada, que preserva o vínculo com a amostra-mãe no próprio código, resolve isso por construção. A primeira linha tem lógica parecida: identificação aplicada no ato da coleta é o que impede a troca silenciosa, o tipo de erro que não deixa rastro e que nenhuma conferência posterior detecta.

Conclusão

Falhas na rastreabilidade de amostras comprometem a base da confiabilidade analítica. Sem histórico documentado e sequencial, não há como garantir que o resultado emitido corresponde à amostra correta.

Fortalecer a rastreabilidade significa proteger a integridade dos dados, reduzir riscos regulatórios e aumentar a transparência operacional. Além disso, contribui para maior agilidade em investigações e auditorias.

Quando processos bem estruturados são combinados com ferramentas como o sistema LIMS, o laboratório alcança nível superior de controle e organização. Assim, a rastreabilidade deixa de ser vulnerabilidade e passa a ser diferencial técnico.

Em um ambiente onde decisões estratégicas dependem de resultados analíticos confiáveis, rastrear corretamente cada amostra não é apenas boa prática. É requisito essencial para credibilidade científica e sustentabilidade do laboratório.

Perguntas frequentes

O que é rastreabilidade de amostras em um laboratório?

É a capacidade de reconstruir todo o percurso de uma amostra, da coleta ao descarte, sabendo em cada momento onde ela estava, quem era o responsável e em que condição se encontrava. Funciona como cadeia de custódia: cada transferência registra quem entregou, quem recebeu, quando e em que condição. O que a torna frágil não são as etapas formais, e sim as transferências informais, que acontecem sem registro porque parecem triviais no momento.

Onde a rastreabilidade de amostras costuma se romper?

Em seis pontos previsíveis: coleta sem identificação imediata, transporte sem registro de condição, recebimento sem conferência formal, aliquotagem sem vínculo à amostra-mãe, transferência entre setores sem registro, e descarte sem registro. O mais técnico e mais esquecido é a aliquotagem: quando cada alíquota recebe identificação nova sem vínculo registrado com a origem, a cadeia se rompe no meio, e os resultados deixam de ser reunidos por amostra.

Por que a etiqueta precisa ser aplicada no momento da coleta?

Porque é o único controle que impede a troca silenciosa de amostras. Quando a identificação é aplicada depois, mesmo minutos depois, existe um intervalo em que dois recipientes são indistinguíveis, e um erro nesse intervalo não deixa rastro: nenhuma conferência posterior detecta uma troca, porque tudo permanece internamente consistente. É um tipo de erro cuja probabilidade é baixa e cuja consequência é alta, e por isso o controle é preventivo.

Como manter o vínculo entre alíquotas e a amostra original?

Usando identificação derivada, em que o código da alíquota contém ou referencia o código da amostra-mãe, e registrando a operação de divisão com data e responsável. Assim, reunir todos os ensaios de uma amostra é uma consulta, e não uma reconstrução. O sintoma de não fazer isso aparece com atraso: meses depois, quando alguém precisa do histórico completo de uma amostra e descobre que os resultados existem sob identificações que já não podem ser correlacionadas.

Ingrid Ferreira

Ingrid Ferreira

Bacharel em Química com Atribuições Tecnológicas. Possui formação em
Química, Ciências Farmacêuticas, Gestão da Qualidade e Cosmetologia. É
Especialista em Gestão de Projetos de Inovação e Sustentabilidade. Auditora
em normas do Sistema de Gestão da Qualidade. Membro da Comissão
Técnica de Divulgação do CRQ-IV/SP e de comitês nacionais da ABNT.
Reconhecida como LinkedIn Top Voice 2024 e LinkedIn Creator 2022.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *